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SÉCULOS XIX-XX:O CICLO CAFEEIRO

Em 1860, com a crise no mercado internacional do açúcar, o plantio de cana entra em decadência e vai sendo gradativamente substituído pelo café.

O café chega ao Estado de SP no início do século XIX, na região do Vale do Paraíba, na divisa com o Rio de Janeiro, estado pioneiro nas plantações do Sudeste. A partir da Serra da Mantiqueira, atinge em meados de 1840 as regiões de Campinas, Jundiaí e Itu, espalhando-se por todo o Estado, para o Sul de Minas Gerais e Norte do Paraná.

Uma fazenda de café na região ituana, segundo Freitas (1993): “...além dos compartimentos internos, tais como a sala de visitas, de jantar, corredores e alcovas sem iluminação e ventilação, a sede da fazenda quase sempre possuía varanda, alpendres ou terraços, onde os moradores se refrescavam em dias de calor e as utilizavam também como um posto onde podiam fiscalizar o trabalho do imigrante. Muitos fazendeiros possuíam também residências na cidade próxima e na Capital.

Nas fazendas de café havia também moradias de administradores e feitores, senzalas casas de colonos, locais destinados à guarda dos equipamentos, depósitos de arreios e carros de boi e, é claro, cocheiras, paióis, ferraria, tulha e terreiro, onde respectivamente guardava-se e secava-se o café. Próximo à sede da fazenda ficavam ainda: a horta, o pomar, chiqueiros e jardins.”

Em 1881, Fazenda Capoava será vendida para a família Araújo Aguiar que muda sua denominação para Fazenda Japão e a transforma em uma propriedade cafeeira

Com a compra da propriedade por Virgílio de Araújo e seu genro João Guilherme da Costa Aguiar, ambos médicos, é instalada a produção de café. Várias são as transformações: venda de engenho de açúcar e pinga e montagem das tulhas de café. Além disso, o cultivo e a formação de cafezais. Neste período a fazenda terá a presença de dois tipos de mão-de-obra:

Escravos: Presentes desde a fundação do engenho de açúcar, no ano de 1885 a fazenda contava com 32 escravos. Em 1888 com a abolição da escravidão os escravos começam a ser substituídos por trabalhadores livres e imigrantes.

Imigrantes: As primeiras famílias chegam por volta de 1890 vindos sobretudo da Itália, como a família Nonnes, atual Nunes, para substituir os escravos. Primeiramente moraram na antiga senzala, mas devido à resistência a este tipo de moradia precária, começaram, no início do século XX a construção das colônias, os atuais chalés de hospedagem. Os imigrantes abriram também olarias para fabricar tijolos.

FOTOS: TRALHAS PARA FAZER CAFÉ, BENEFICIADORA, TIJOLOS E FORMAS, CARTEIRAS E PALMATÓRIA, FOTOS DO BIOMBO, BENEFICIADORA – FASE VIRGILIO DE AGUIAR –ESPAÇO CULTURAL.

DEPOIMENTOS RELACIONADOS À FAZENDA CAPOAVA E AO PEDREGULHO NO PERÍODO CAFEEIRO.

No decorrer do século XX, a fazenda passa pelas mãos de diversos proprietários e o gado torna-se sua principal atividade.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

Luís Norberto Pascoal: Aroma de café

A Lenda do café:

Há mais de mil anos, um monge passeava pelas pastagens da Arábia. Enquanto sentia o calor da tarde aquecer suas costas, respirava o ar puro e seco das montanhas. Perto de uns arbustos, o monge notou uma certa agitação onde algumas cabras brincavam. A alegria dos animais era tamanha, que o monge resolveu se aproximar.

Um jovem pastor estava sentado perto dos animais e cantarolava baixinho, todos pareciam embriagados por uma estranha felicidade.

O monge chegou mais perto e notou pequenas frutinhas vermelhas que estavam nas mãos do jovem parecendo reluzir contra a luz do entardecer. O pastor explicou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

O monge pegou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Antes da oração noturna, resolveu experimentar o novo elixir. Seu corpo foi tomado de uma sensação de júbilo e motivação, e o monge orou durante toda à noite.

Para saber mais:

AROMA DE CAFÉ;  Guia   prático   para   apreciadores   de café   /   texto  de Luís Norberto   Pascoal   e   coordenação   de  Patrícia   Engel  Secco. São Paulo:             Fundação Educar Dpaschoal,1999.

MAIA,   Tom;   MAIA,   Thereza   Regina  de      Camargo.  Itu; quatro séculos de história. São  Paulo: Expressão Editorial, 1995.

BINZER, Os meus romanos: alegrias e tristezas de uma educadora alemã no Brasil. São Paulo: Paz e Terra,1994.

BOTELHO, Cândida Maria de Arruda. Fazendas paulistas do ciclo do café: 1756-1928. Rio de Janeiro: Nova Fronteira 1984.

O CAFÉ / Exposição realizada na Praça do Banco Real. Curadoria Geral de Emanuel Araújo. São Paulo, 2000.

LEPSCH,  Inaldo C. S.   O Barão de Itaim;  vida, obra e legado de Bento Dias  de Almeida Prado. Itu: Ottoni, 1999.

FREITAS, Sônia Maria de. E chegam os imigrantes...O café e a imigração em São Paulo. 2ª ed. São Paulo, 1999.

FAZENDAS – SOLARES DA REGIÃO CAFEEIRA DO BRASIL IMPERIAL. Editora Nova Fronteira.

FAZENDA PINHAL. 100 Anos de Fotografia. São Paulo: SESC.

CARMO, Sonia Irene. COUTO, Eliane. História: Passado Presente –Brasil Colônia. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 1994.

DREGUER,      Ricardo.      TOLEDO,      Eliete.      História:      Cotidiano    e    Mentalidades. 2ª ed. São Paulo:  Atual Editora, 2000.

ITU – PATRIMÔNIO DA CULTURA PAULISTA / organizadores Hélio Chierighini,      Ismael Guarnelli e Jair de Oliva. Itu: Desktop Publishing Editorial, 1997 COLEÇÃO TERRA PAULISTA



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